Blog em Linha Reta

Onde é que há gente no mundo?

E mais invenções

de que lado? perguntou-se,
sentado na esfera da vida,
inventada, de aço, inexorável,
inoxidável, absurda, impraticável,
impenetrável, infalível,
estéril, inerte, oca, vazia.
acostumou-se e perdeu costumes.
esvaziou a mochila
pois tudo do mundo já sabia.
cessou a escrita, não sorria,
procurou a saída, não havia.
sentou, fabricou uma rima vazia,
(era o que o mundo lhe pedia)
produziou outra, tardia,
atrasou-se com a linha,
o tempo urgia,
a rima esvaia.
caía uma por vez e parecia
gota de chuva em pleno dia,
repetidamente, era o que o mundo merecia.
não tinha métrica, não tinha ritmo, vivia
cansado da mentira, farto da sombria
invenção de crepúsculo ao meio-dia.
do mundo das invenções descobria
invenções várias e por uma a uma se seduzia.
na frente de uma tela, inventada,
passou os dias.
já que inventar não sabia
mentia, pra si mesmo, para os pais, pra sua tia.
razões não tinha, nem sentido fazia,
mas corria.
impreterivelmente o tempo urgia,
então ele corria, escrevia,
escrevia, escrevia
mais uma rima vazia,
era tudo que o mundo merecia.


A maioria dos sorrisos morrem rápido e suas almas se dividem em um olhar perdido e uma cara sem graça. Por isso, sempre, indefinidamente, sorrisos assim sempre reencarnam, outra vez, apenas metade, incompletos, faltosos e sem graça. A metade que nunca acaba mas, de tão pequena, não é nada.