Blog em Linha Reta

Onde é que há gente no mundo?

Saudade do que não foi

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão…

Fernando Pessoa

Esquecer o que não aconteceu e se recuperar do que não marcou. Voltar de viagem das distantes terras do Aqui e chegar Agora, futuro do passado que não existiu; presente que sempre, implacável, foi. E tornar ao mesmo sem nunca ter deixado de ser.

Ele: tirolês, ela: odalisca; […]
“digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida?”

Luis Fernando Veríssimo

é claro que há sempre exagero. Não fossem os exageros não haveria viagens e não haveria esse negócio de sonhar e esse negócio de sonhar em viajar e toda metafísica entre o sonhado e a partida e a chegada e as pessoas que ficam e que vão e… e tudo isso pensado e escrito na mesma mesa, imóvel, concreta e real mesa.

Essa mesa que sentiu os efeitos físicos de ser balançada impacientemente e sentiu mãos se apertando e batuques arrítmicos e arruma-e-desarruma sem sentido de coisas; se essa mesa tivesse sentidos, teria sentido além do fim de tudo isso, o sorriso que se deu quando Ela veio em sua direção, séria e com-sua-tia e linda-como-sempre-e-mais-do-que-nunca e séria e com sua tia e linda como sempre e mais do que nunca; e teria deixado de sentir o sorriso quando esse morreu.

É claro que há sempre exagero.

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.